|

|
|
| |
Hoje cedo vi a cena mais capitalista da minha vida. Cinco homens, cada um com a sua xícara, reunidos numa rodinha. Como aquelas cenas bem de escritório, em que duas pessoas se encontram e travam um inteligentíssimo papo-de-bebedouro, só que substituindo a água por café. O engraçado foi que, enquanto um falava, os outros ouviam atentamente e faziam até alguns comentários. Quando ficavam em silêncio, todos levaram as xícaras às bocas, ao mesmo tempo. Isso se repetiu duas vezes.
Felizmente ninguém ali usava terno, ou então eu acho que cairia em prantos.
Nunca achei que viveria para me ver num evento social relacionado ao trabalho. Aliás, sempre acreditei que ficaria longe desse tipo de coisas. Aniversário de chefe, "fazer social", estou fora. Sou da seita dos que querem progredir por méritos próprios, foi uma lição que fiz questão de aprender com meus genitores. Mas, se você não vai ao evento, o evento vem até você.
Inventaram hoje de assistirmos o jogo de abertura da Copa do mundo, bebendo cerveja e comendo churrasco. Ora, eu não gosto de futebol, gosto ainda menos de cerveja. Acho que prefiro ficar trancado no banheiro, contando quantos fios de barba consigo encontrar no meu rosto e dar nome a cada um deles, mas receio que não tenham oferecido esta opção. A parte boa é que gosto daqui e das pessoas com quem trabalho. Não vai ser difícil encarar este primeiro momento social da minha vida profissional. Mas juro que ficaria com o lance da barba.
Espremido às
10h45 -
[
]
Morte não é um dos assuntos mais comuns pra mim. Quando eu estava saindo da infância e meu avô morreu, meio que aquilo não me abalou. Ao mesmo tempo em que estava começando a formar minha opinião sobre muitas coisas, ainda não tinha experiência alguma em como lidar com a perda de um parente. Não que não gostasse do meu avô, mas acho que eu não tinha aprendido a demonstrar sentimentos direito. Sempre fui muito tímido, tinha mesmo vergonha de mostrar pros outros que estava triste, achava que meus motivos não eram bons o bastante pra ser respeitados pelas pessoas. Sim, era uma razão bem idiota para não demonstrar tristeza na frente dos outros, mas fazia o maior sentido dentro da minha timidez. Já me assustei com familiares meus, mais vezes do que queria, até. Mas morte mesmo, todo esse sentimento de perda, só fui entender quando morreu o pai do meu melhor amigo. Não fiquei triste pelo pai dele não estar mais aqui, mas sim por ver o quanto a família dele estava triste (na verdade, eu só tinha uma impressão muito pequena da tristeza que estavam sentindo) e por não poder fazer nada pra diminuir a dor deles.
Recentemente, tenho ficado assustado por causa da Tia. Ela é minha parente viva mais velha e também uma das que mais gosto. Não tenho nenhuma crença religiosa, mas minha mãe disse que a Tia pode estar se preparando para partir. Uma vez, aprendi que a única decisão que temos sobre vida e morte é a de aceitação. Apesar de toda a dor, de toda a saudade, só o que podemos fazer no final é entender que alguma pessoa possa não estar mais por aqui e aceitar.
Fico assustado, não nego. A Tia é uma pessoa que merece viver pra sempre. Que, em todo meu egoísmo ou seja lá como se chama isso, eu gostaria de ter sempre por perto. Não, isso não é possível, eu sei. Mas gostaria que fosse, sério.
Espremido às
22h40 -
[
]
.: Whisky a Go-Go :. Pra não falar que não lembrei das metáforas, foi impossível não comentar quando estávamos todos conversando e fomos cercados por um galo.
Ou então os sinais estão aí para quem quiser ver, não é mesmo? Bom, eu quis e tenho fé em nós e de que vamos dar certo no que quisermos, cada um com suas escolhas. Basta querer, dizem. Bom, eu quero por todos. E não estou sozinho.
Foi a primeira vez que fui ao casamento de uma pessoa próxima a mim. Antes, dois primos meus se casaram. Num, eu só fui na festa e o outro, que foi numa chácara, foi legal, etc. e tal mas foi de alguém da família de sangue e sobrenome. Agora foi o primeiro casamento de uma amiga, com quem eu não tinha vínculo nenhum ao nascer. Nostalgia durante todo o final de semana.
Não olho para o passado com tristeza, de não estar mais vivendo com algumas pessoas cinco, seis, sete dias por semana. Saudade, sim, que a gente sempre sente saudades de coisa boa, mas é só. Precisamos passar por quatro anos em comum e, de quase oitenta pessoas, selecionamos algumas para estar junto por mais tempo. De vez em quando, nos encontramos. Foi o primeiro casamento de um de nós. E foi como deveria ter sido mesmo. Com as galinhas carnívoras, a gangue de gansos gozadores, os novos pais, velhos amigos.
Droga. Estou ficando todo sentimental neste texto. Mas, enfim. Ainda estou de ressaca.
Espremido às
20h39 -
[
]
[ ver mensagens anteriores ]
|
|
|