Fui só eu ou alguém mais percebeu que hoje foi o dia nacional do enrosco?
(...)
Às vezes, sinto que estou parado, apenas esperando minha barba crescer. Como quando passam a cena bem acelerada no cinema, mostrando o personagem do filme esperando a mulher tomar banho e se arrumar para o baile de suas vidas. Juro que sinto minha barba crescendo.
Ontem terminei mais um livro. Gosto de ser surpreendido pelo que for, então nunca olho quantas páginas têm meus livros. Vou lendo e lendo, controlando apenas quanto falta pela finura (finesse?) das folhas que faltam. Conheço mais de uma pessoa com o hábito de ler o último parágrafo ou a última página dos livros que lêem, até quando são histórias da Agatha Christie ou do Sir Conan Doyle. Acho isso uma tremenda heresia por dois motivos bem parecidos. Ora, o autor fez o livro já com uma ordem determinada. Se ele teve esse trabalho todo, a gente bem que podia respeitar a vontade dele. E outra, não temos controle sobre a forma como as coisas acontecem nas nossas vidas. E nossas vidas seguem um roteiro à risca: o antes, o agora e o depois. O único controle que temos mesmo é a forma como vamos reagir ao que está acontecendo agora, à medida que um novo agora chega. Mas apenas as reações, nunca os acontecimentos. Com os livros, temos de enfrentar as novidades, as informações à medida que elas aparecem.
Com exceção dos dadaístas, porque eles não têm jeito.
(...)
Estou descobrindo uma nova modalidade de escrita. Durante todo o dia, é a maior correria, barulheira, zona mesmo. Vou começar a escrever nos dias em que precisar ficar até mais tarde aqui, porque fico um tempo sem fazer nada mesmo. Ócio criativo.